Sobre Gripe e Outras Coisas

Oi malta,

Espero que se encontrem todos bem!

😜

Vamos ver o que a História tem para nos ensinar sobre a Gripe? 📙



Hipócrates Livro IV das Epidemias (é descrito um surto no Norte da Grécia por volta de 412 a.C.)


Naturalmente, o Pai da Medicina, desconhecia por completo todo o funcionamento biológico de um vírus. À data dos seus registos, a Medicina encontrava-se num estado ainda, muito embrionário. Hipócrates é considerado o Pai da Medicina por ter registado os casos clínicos com informação directa e pertinente desde o dia zero até finda a doença. Através dele, a Medicina deixou de ser vista como algo espiritual, passando a ser, considerada e aprendida como ciência.



Grande pandemia de Gripe de 1530 
  • Nos séculos seguintes foram ocorrendo pequenas epidemias. Estas foram diminuindo até ao seu "desaparecimento" na Europa Ocidental entre os anos de 1847 e 1889, tendo permanecido na Ásia Central.
Grande Pandemia de Gripe de 1889
  • Na Sibéria, entre Maio e Junho de 1889, teve início uma grave pandemia. Por esta altura, em concordância com o Relatório da Comissão da Sociedade de Ciências Médicas, metade da população de Lisboa, foi afectada. A partir deste momento, algures em 1889, a gripe passou a ser uma das maiores causas de morbilidade e mortalidade na Europa Ocidental. Pelas linhas férreas e por via marítima, a gripe chegou aos EUA em Dezembro de 1889. No segundo mês do ano de 1890, atingiu a América do Sul, estendendo-se, posteriormente à Índia e Austrália. Em Lisboa, o Convento de Santa Marta foi adaptado às necessidades, transformando-se num hospital improvisado permitindo atender os doentes durante o ano de 1890. Em Abril chegou aos Açores e em Maio até às regiões da África. 
Estudos posteriores, datados de 1958, apontam para uma correspondência de uma mutação do vírus Influenza relacionados com o subtipo H2N2, no que diz respeito à Grande Pandemia de 1889-1890.

Ano de 1900 vírus subtipo A (H3N8) Hong Kong
  •  Este subtipo andou entre nós até meados de 1918. Existem poucas informações disponíveis sobre a actividade gripal a ele associado. 
Gripe Espanhola 1918/1919
  • Posteriormente, através do acesso a material genético preservado, foi possível, estudar o Vírus da Gripe Espanhola. Constatou-se então, que este vírus tinha origem em mamíferos, porém não em seres humanos. A nossa espécie foi atingida por ele durante o surto de Gripe Espanhola (H1N1). 
  • Até chegar à espécie humana, o vírus necessitou de um reservatório. Por esse motivo estima-se que o mesmo tenha tido origem em anos anteriores em espécies como o gado suíno, onde sofreu alterações, até atingir o homem.
Uma curiosidade sobre a pandemia de 1918, mais conhecida como "Gripe Espanhola", é que a mesma não teve origem em Espanha. A sua origem é desconhecida, no entanto, alguns dados apontam para o desenvolvimento da doença lá para os lados da Ásia. Outros autores defendem que se iniciou em meados de Março nos EUA outros, por sua vez, afirmam que o seu início foi em França. Independentemente de onde tenha sido o seu início, para nós, portugueses, faz todo o sentido o termo "Gripe Espanhola", uma vez que entrou no nosso país pelas fronteiras com Espanha. 😂

Alguns autores defendem que a pandemia de 1918 ficou conhecida por Gripe Espanhola, por ter sido, a imprensa de Espanha, a primeira a divulgar a existência da doença. À data dos acontecimentos, grande parte da imprensa de muitos países era censurada. Esta situação conduziu a um conhecimento tardio, da situação, por parte do povo.
A pandemia teve três vagas. A primeira e a última vagas, tiveram um curso mais benigno que a segunda. A gripe atacava, sobretudo, crianças e adultos entre os 20 e os 40 anos. As grávidas, também compunham o leque de doentes afectados. 

👀 O facto de haver uma menor difusão entre idosos, sugere, que existia, por parte da população mais velha, uma certa imunidade, ao vírus, ou seja, teria havido um contacto com um "vírus idêntico" anteriormente, na vida dessas pessoas. Este dado é importante para que consigamos entender a importância da imunidade. 👀

Isolamento do vírus Influenza (tipo A) em 1933 

  • A partir deste momento entendeu-se que este vírus contagia tanto o homem como outros mamíferos. 
    • Em alguns casos os sintomas são leves, no entanto, em pessoas que sofrem de patologias (e por isso, o organismo, tem uma capacidade de resposta diferente), o quadro clínico pode ser um pouco mais complicado. A pneumonia é uma das complicações graves que podem surgir em consequência da doença primária.
    • O primeiro vírus tipo A a ser isolado e catalogado de A0 (H0N1) prevaleceu entre 1933 e 1946.
    • O segundo vírus prevaleceu entre os anos de 1946 e 1956 (H1N1). 
    • Estes dois subtipos de vírus originam surtos regulares, no entanto nunca originaram uma pandemia. Actualmente estas duas variantes são consideradas como um único subtipo (H1N1).

Pandemia de Gripe Asiática -1957/1958 subtipo A (H2N2)

  • Iniciou-se no Norte da China em Fevereiro de 1957. Em torno do mês de Abril chegou a Hong-Kong e Singapura, difundindo-se para a Índia e Austrália. Nos meses de Maio e Junho atingiram todo o Oriente. Entre Julho e Agosto alcançou a África seguindo-se a Europa e os EUA. Em Portugal o vírus entrou por mar. Os passageiros que vinham de um navio, vindo de África trouxeram o vírus no dia 7 de Agosto de 1957, data em que desembarcaram em Lisboa.
Em menos de 10 meses, este vírus tinha dado a volta ao mundo 😕

(Aqui entre nós, não me chateava nada de ter feito uma viagem assim, mas sem vírus, claro! )
😝

Continuemos...

Como é que o vírus se difundiu tão rápido? 

Bem, à data de 1957 assistimos a um crescimento das viagens internacionais o que origina variações antigénicas (não vou explicar "cientificamente" o que é uma variação antigénica pois Microbiologia não é propriamente o meu forte) 🙈. Basicamente e de uma forma muito simples, o vírus altera-se e gera um "novo vírus" (digamos assim) que pouca semelhança tem com o anterior. Não havendo imunidade (da nossa parte), propaga-se entre a população. 

(Acho que a explicação foi bem simples, mas a intenção é que todos consigamos entender a ideia de base)
 😉

Pandemia de Hong Kong  - 1968/1969 subtipo A (H3N2) 

  • Segundo consta, a origem desta pandemia foi na Republica Popular da China e a partir daí, difundiu-se por todo o mundo, tal como a Gripe Asiática. Apesar de ser um subtipo diferente, a doença manifestou-se de forma benigna, não estando a esta pandemia associados, um elevado número de mortos. Em Portugal houveram duas fases epidémicas. A primeira no final de 1968 e início de 1969. A segunda durou mais tempo que a primeira e ocorreu no início de 1970. Também esta segunda manifestação foi considerada de carácter benigno. 

Pandemia de 1977 (H3N2) + (H1N1)

  • Em torno do ano de 1977, foi observado um comportamento epidemiológico até então desconhecido. Verificou-se a circulação em simultâneo subtipos A:
    • H3N2 
    • H1N1 
  • Os surtos foram acontecendo, começando por Moscovo onde afectou principalmente crianças e o jovens adultos. Em Hong-Kong verificou-se a mesma situação. O vírus espalhou-se pelo mundo atingido as camadas mais jovens. 
👀Aqui conseguimos perceber o porquê de atingir as camadas mais jovens. Se observarmos, as datas em que os subtipos A (H3N2) e (H1N1) estiveram em circulação, facilmente entendemos que alguns adultos, e principalmente idosos, já teriam adquirido a imunidade necessária para "combater" os subtipos que circulavam, em simultâneo, no ano de 1977.👀

  • Pandemia de Gripe A - 2009/2010 subtipo A (H1N1) Califórnia e México

Desde 1977 que os dois subtipos circulam entre nós. 😱 Vão sendo apresentadas, no entanto, pequenas variações "menores" que originam surtos epidémicos ou regionais, no entanto, não constituem uma "ameaça" de pandemia. 
É devido à nossa imunidade geral e selectiva, que às vezes "apanhamos a gripe" de alguém e outras vezes, nada acontece. 

Viva a nossa imunidade! 💪

Gripe das Aves -1997 subtipo A (H5N1) 

  • Este subtipo de Influenza A (H5N1) foi identificado em humanos em Hong Kong em 1997. A transmissão deste subtipo é rara de animais para humanos, uma vez que é preciso um contacto directo com as aves (vivas ou mortas). O primeiro surto originou a presença de sintomas respiratórios graves, tendo resultado deste, uma mortalidade alta. Procedeu-se à acção de abate sanitário de grande parte das aves infectadas com H5N1. 
  • No decorrer dos anos 2003 e 2004, reapareceram alguns casos esporádicos de H5N1 em humanos (especialmente na Ásia e Oriente Médio). Foram confirmadas aproximadamente 800 infecções.

 Subtipo A (H7N9) China, 2013

  • Este surto atacou de forma mais significativa os pacientes de mais idade. Existem evidências que sugerem a possibilidade de transmissão interpessoal limitada, embora a mesma não se tenha verificado. O aparecimento do surto foi associado à exposição directa com aves infectadas nos mercados de animais vivos (que são adquiridos para posterior consumo). Após o encerramento dos mercados houve uma diminuição do pico do surto. No entanto, o mesmo voltou a aparecer novamente, meses depois. Quando chegamos ao Ano Novo Chinês, a comercialização de aves aumenta consideravelmente, originando o aparecimento de alguns surtos sazonais.
  • Segundo dados da OMS, o pico de H7N9 na China ocorreu em 2016/2017 onde foram reportados mais de 1500 casos em humanos.

Subtipo A (H5N1) 

  • No ano 2017 foram reportados alguns casos no Egipto.
  • Em 2019 voltamos a ter confirmação de uma infecção no Nepal. 
  • No final de Janeiro de 2020 a China reportou um surto de H5N1. Procedeu-se ao abatimento sanitário das aves.

O vírus da gripe gosta de aves! 👀

Parece que há uma paixão entre o vírus da gripe e as aves. Basicamente, as aves são reservatórios deste vírus (especialmente as aves migratórias). Assim, o vírus mantêm-se "vivo" e acaba por ser transmitido a outras espécies. Nas aves podemos encontrar todos os subtipos de vírus (A) que conhecemos até à data.

Tipos de vírus Influenza:

  • Vírus Influenza A - zoonoses, ou seja, existem várias espécies susceptíveis (humanos, suínos, cavalos, mamíferos marinhos e claro, as aves).
    • Isto significa que o vírus pode passar de uma ave para um porco e de um porco para o Homem, por exemplo.
    • Os subtipos H1N1pdm09 e H3N2 circulam sazonalmente, infectando o homem.
  • Vírus Influenza B - infectam exclusivamente os seres humanos. Diferentes do Tipo A, não são classificados em subtipos. Existem duas linhagens distintas (B/Yamagata e B/Victoria). 
  • Vírus Influenza C - infectam seres humanos e gado suíno. Menos frequente e por norma, causa infecções leves. Não existe relação entre o vírus C e as epidemias.

O Fantasma dos "Coronas"

Tal como a nossa família, também o COV19 tem a sua (coitado, também tem direito) 👭. Então este menino não é apenas um, são vários tipos que se enquadram na família coronavirus. Normalmente as infecções causadas por estes "não seres", originam problemas respiratórios. Podem originar sintomas mais simples, (semelhantes aos da dita "gripe") ou mais graves, como a pneumonia. 

Alguns tipos de Coronavirus que já conhecemos:
  • Entre 2002 e 2003 apareceu um tipo de vírus SARS-CoV (Síndrome Respiratória Aguda Grave). 
  • Em 2012 e 2013 foi identificada uma nova estirpe de coronavirus. Apelidada de MERS-CoV.
  • Em 2019 na China, foi identificado em humanos o SARS-CoV-2. 
  • Em 2020 pandemia COVID-19 (doença provocada pelo vírus SARS-CoV-2).
O SARS-CoV e o MERS-CoV  têm uma origem zoonótica. Os reservatórios naturais destes vírus são os animais. Algumas espécies de morcegos, mais especificamente.

Vírus em Morcegos?

  • No ano de 2012 temos o aparecimento de um subtipo de vírus da gripe, este por sua vez, foi identificado nos morcegos.
  • Alguns vírus da família coronavirus também escolheram os morcegos, como reservatório natural. 

SARS-CoV-2 (2019)

Sobre o SARS-CoV-2 ainda não sabemos muito. No entanto, estudos genéticos permitiram verificar que o SARS-CoV e o SARS-CoV-2 pertencem ao mesmo grupo (sendo o SARS-CoV-2 o segundo vírus deste grupo). Neste sentido, estamos a lidar com algo que não pode ser considerado como algo absolutamente "novo", apesar de ser "novo" (isto deve-se ao desconhecimento que ainda ronda o comportamento do SARS-CoV-2). Foi devido a esse factor que o nome 2019-nCoV ( novo coronavirus) foi substituído por SARS-CoV-2. A doença continua no entanto a designar-se como COVID-19 que significa (traduzido do Inglês) doença de coronavírus de 2019. 

Tal como o MERS-CoV e o SARS-CoV, algumas indicações sugerem que também o SARS-CoV-2 tem origem zoonótica (no entanto, ainda não existe um absoluto esclarecimento científico). Embora, a maioria de nós, deduza que esteja realmente relacionado com isso (dado todo o historial de  aparecimento e forma como se originou, a actual pandemia). 

Como é natural, a circulação deste vírus, origina ligeiras variantes diferentes, apresentando assim, distintos graus de virulência. Assim, o vírus que temos na China, pode não ser integralmente igual, ao que existe, por exemplo, no nosso país.

Pronto, acho que já entendemos a diferença entre a família Influenza e a familia Coronavírus! Não são a mesma coisa 😉

Outros Vírus Respiratórios 

Para além da família Influenza e da família Coronavírus, existem outros vírus respiratórios, como podemos ver no gráfico abaixo.

Distribución porcentual de virus respiratorios. Argentina. 
De la semana epidemiológica 1 a la 53 de 2014; n= 19 767 

Até ao próximo artigo
👏

Petra Silva (Mytic Soul)

Bibliografia: 





















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