O LADO POSITIVO DA PANDEMIA #6 - Cooperação

Na sociedade em que vivemos, corremos o risco de cair na nossa própria vida, nos nossos problemas, nas nossas "coisas" e esquecemos-nos da possibilidade de cooperar com os outros.

Se há coisa que esta situação nos veio ensinar, de forma directa, é que apenas a conseguiremos superar se cooperarmos uns com os outros.

Por vezes as grandes "desgraças" são os melhores professores que temos, para aprender, pequenas coisas da vida, que fazem, na realidade, parte da essência da mesma, no entanto, foi-nos dito, infelizmente, o contrário.

Toda a acção, origina uma reacção. Assim, se agirmos com os outros de forma pura, verdadeira, o que iremos receber, será a mesma verdade que estamos a emitir. A doçura, tal como a acidez, é algo que se contagia. Assim, para semearmos a semente da cooperação, é necessário que tenhamos por companheiras a verdade e, obviamente, a humildade.

A cooperação só é, no entanto, possível, quando existe confiança. Neste momento, desconfiamos de tudo, até de nós próprios, pois nenhum de nós, tem a 100% de certeza de estar infectado, com o vírus que nos tem roubado muito, mas também, nos tem trazido tanto...

O factor de neste momento, estarmos a atravessar uma fase de "desconfiança geral" leva-nos a recear qualquer tipo de aproximação inferior a 2 metros de distância, no entanto, neste momento, essa desconfiança, acaba por ser um acto de amor, nas diversas direcções. Eu não sei se tu tens, por isso não me aproximo de ti. Mas também não sei se tenho, por isso não me aproximo de ti. Afasto-me das pessoas no supermercado não por as desprezar, não por as recear (não por mim) mas por recear o que posso trazer comigo, o que pode entrar na casa, onde vivem as pessoas que amo. Neste momento, o estar afastado de quem amamos, é, na realidade, o maior acto de amor e de cooperação que alguma vez a humanidade viveu, no seu conjunto, ao mesmo tempo.

Estamos a ter a derradeira hipótese de interiorizarmos o que significa, de facto, a cooperação. É pedido que todos, todos os povos, de todos os países, de todo o mundo cooperem numa luta que é de todos nós e que depende, inevitavelmente, da nossa capacidade de cooperarmos uns com os outros.

Iremos ver fome, sim vamos. Não é preciso ir muito longe, basta estar no sítio certo na altura certa. Às vezes, ao estares à janela, surge alguém que efectivamente, tem fome. Alguém que vive na rua (independentemente da razão que o conduziu até ali), alguém que pouca esmola recebe, pois a grande parte de nós, tem pouca esmola que possa dispensar, porque os tempos estão difíceis, porque o trabalho se foi, porque não há rendimentos, porque tem dias, que não conseguimos ver saída, para os problemas que nos são mais próximos. Mas mesmo assim, é necessário cooperarmos, é necessário que sejamos a melhor versão de nós próprios, improvisando, a cada dia, todos os dias, as nossas capacidades.

Todos temos diferentes ferramentas, algo em que podemos cooperar com os outros. Eu tento cooperar da forma que vos mostro, todos os dias. Quando alguém pede por não ter de comer, do pouco que tenho, coopero, pois essa é uma das grandes aprendizagens que devemos assimilar durante esta crise. Cuidando de mim, cuido de ti, e tu, cuidando de ti, cuidas de mim. Só assim, é possível superar esta avalanche que nos inundou e que ainda sentimos, as diversas derrocadas, na luta de cada dia.

O Universo, para o seu funcionamento, necessita de se guiar por um conjunto de Leis Universais.  Estas leis regem tudo à nossa volta. (se quiseres aprofundar este tema espreita aqui).
Apesar de ser um tema bastante vasto, as Leis Universais, são essenciais à nossa compreensão, no que diz respeito a como tudo se orquestra, no Universo em que nos encontramos. Ao estudarmos as mesmas, percebemos porque é que as coisas acontecem de determinada forma, e conseguimos, mais facilmente, desenvolver as capacidades que necessitamos para viver uma vida harmoniosa, porque estamos em ressonância com o Universo em que nos encontramos.

Voltando à cooperação, mais importante do que cooperar, é a forma como nos predispomos a realizar essa cooperação. Ou seja, fazer só porque "fica bem" ou "o outro vai gostar mais de mim porque fiz isto ou aquilo", não é, verdadeiramente cooperar. Quanto muito, estaria, apenas e só, a cooperar comigo, pois o bem que estava a criar, baseia-se no meu ego e não, na possibilidade de realmente, cooperar com o outro. Assim, o que realmente conta, é a intenção que temos quando cooperamos com algo ou alguém. Tudo o que fazemos tem um retorno, da mesma origem da acção que executámos. Assim, mais importante do que a nossa acção, é a intenção com que desempenhamos o acto, pois é no nosso íntimo que reside tudo o que se expressa, à nossa volta.

Cooperação apenas e só, é possível, quando não existe qualquer intenção egoísta da nossa parte. Generosidade é a palavra de ordem para que surja de forma instintiva, a verdadeira recompensa de cooperar. Esta recompensa não se traduz em números, em bens materiais, em reconhecimento, em agradecimentos. Esta recompensa é interna, nasce no nosso íntimo e alimenta-nos a continuarmos a cooperar connosco, com os outros e com o mundo.

Tudo na vida se move em termos energéticos (mesmo que não consigamos ver essa energia a fluir) conseguimos observar a manifestação da mesma nas nossas vidas. O que criamos ressoará, obrigatoriamente na nossa realidade. O que criamos é tudo! Um pensamento, uma emoção, um acto, tudo isto gera uma energia, emana uma frequência e, inevitavelmente, teremos a resposta à nossa criação.

Cooperação significa doar de peito aberto. Cooperar é dar sem esperar receber, é simplesmente preencher o nosso coração com um sentimento que nos preenche, pois, inevitavelmente somos todos uma mesma unidade, separada pela vida, pela sociedade, pela religião, pela política e por todos os disparates que nos convenceram que eram essenciais, para que houvesse uma diferenciação entre o eu e o tu.

💜

Petra Silva (Mytic Soul)




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