A Certeza que temos...
Podemos ter as nossas convicções, as nossas crenças, aquilo que achamos que vamos conseguir alcançar. No entanto, aquilo que todos temos como certo, é que um dia esta passagem termina. Para uns será mais breve, para outros, demorará mais tempo, no entanto, independentemente da forma, da altura, das circunstâncias, todos temos de ir, todos teremos inevitavelmente de embarcar, nessa viagem.
Quando se vão aqueles que amamos, fica um vazio no nosso peito. São pessoas que deixam de existir, que deixam de fazer parte da nossa realidade de todos os dias. Mantemos-las vivas no nosso coração, no nosso pensamento, no nosso sentimento, porém, deixam de fazer parte da física do plano terreno.
Pior do que partir, é no entanto ficar, em sofrimento, em algum outro plano paralelo, que não o terreno, porém com o corpo bem fixo à terra. Quando aquele que vive, vive como se já tivesse morrido, é um luto que começa bem antes da data da viagem, gradualmente vais vendo, vai-te doendo, vai-te consumindo mas vai também, trazendo-te uma preparação para o que está para vir...
É um acto de tremendo egoísmo desejar que os que amas fiquem junto de ti. Quando amas tens de libertar, pois apenas libertando permites-te, a ti próprio, viver essa liberdade e permites ao outro, ser plenamente livre. Quando amas, queres que esse alguém esteja por perto, porém, o amor e o egoísmo fundem-se mais frequentemente do que seria desejável. Vais lentamente percebendo, que o deixar alguém ir, é um acto de amor.
Há uns anos tive um desafio parecido, hoje estou novamente a lidar com essa aprendizagem. Com maior capacidade, entendimento, tranquilidade, porém, não deixa de doer. Doí porque sou humana, dói porque estou em constante aprendizagem, dói porque vejo todos os dias, e dói porque sei que tem de ser, e no fundo, sou humana. A dor é algo que passa, o sofrimento permanece, apenas, se eu o alimentar, pois, como tudo, é uma questão de escolha.
Apesar de toda a dor, as coisas são exactamente como têm de ser. É necessário aceitar e aprender com os desafios independentemente do grau de severidade com que estes se atravessam no nosso caminho. São os nossos mestres, os nossos maiores professores. São eles que nos permitem evoluir enquanto seres humanos, são eles que permitem o cumprimento do propósito que todos temos.
Pior do que partir é estar preso a uma qualquer dimensão paralela, onde o corpo está presente mas a cabeça, essa já não atina. Viver como se tivesse morrido, um desafio para quem o vive e também para quem o assiste, mas como qualquer aprendizagem, também esta, faz parte da vida...
A partida é a única certeza que todos temos...
💜
Petra Silva (Mytic Soul)

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