A oportunidade de Aprender #4 - Flexibilidade
A flexibilidade é a qualidade (que devemos) e está ao nosso alcance, desenvolver. Esta virtude, permite-nos, adaptarmos-nos a diferentes situações, ambientes, acontecimentos e claro, personalidades. Ao sermos flexíveis, somos capazes de compreender as diferentes formas como cada um, na sua individualidade, vê o mundo. Conseguimos respeitar a sua opinião sem que esta nos afecte. Permitimos-nos a conhecer mais sobre nós próprios, sobre a vida, sobre o mundo e sobre os outros pois somos, flexíveis.
Ao observarmos uma planta, por exemplo, ela molda-se consoante o sopro do vento. Se contrariamente a esta flexibilidade, se mantivesse imóvel, acabaria por quebrar-se. O mesmo se passa connosco, o mesmo se passa com a vida.
Quando andamos no banco de trás de um carro, num caminho de curvas e contra curvas, se não nos moldarmos ao balanço do carro, às curvas que este faz, ao final de algum tempo, teremos severas dores nas costas, pois houve uma aplicação constante de forças contrárias, que acabou por, inevitavelmente, nos consumir mais energia.
Se observarmos a água, podemos constatar que contorna sempre os obstáculos. A água e molda-se, adapta-se aos sítios por onde consegue passar. É adaptável e sábia, ao mesmo tempo. Assim devermos ser, também nós, humanos. Flexíveis e sábios, como a água.
Quando somos flexíveis na nossa maneira de estar, de ser, de pensar, de agir, abraçamos a verdadeira possibilidade de aprendizagem. Abraçamos também, a verdadeira liberdade.
O apego à rigidez das nossas crenças, compromete a visão que temos da vida, de nós próprios, dos outros e do mundo. É necessário que desenvolvamos a capacidade de compreender, de aceitar que as coisas são como são, independentemente, do nosso nível de concordância ou aprovação. Ao alimentarmos a inflexibilidade, dificultamos toda a nossa vida, todos os nossos relacionamentos, tudo o que poderia ser e não é, pois somos intransigentes.
Todos possuímos um "filtro" diferente, um olhar diferente, um pensamento distinto. Analisaremos a vida em concordância com as características pessoais que temos, com a nossa vivência e com o nosso sistema de crenças. Todos estamos condicionados a estas limitações, no entanto, a cada um de nós cabe a responsabilidade de dar um passo em frente e nos libertarmos, da corrente da nossa "certeza". O relacionamento com o outro, só é genuíno e verdadeiro se tivermos alguma flexibilidade, caso contrário não teremos um relacionamento e sim uma guerra ou pior, uma das partes reprimidas, como resposta da nossa inflexibilidade. Será isto que queremos?
Atravessamos uma fase onde todos estamos a ser postos à prova. O conceito de relacionamento ganhou um novo significado, seja pelo excesso ou pela escassez de convívio humano. Neste desafio temos de nos superar, de nos aprimorar. Devemos abraçar essa possibilidade que a vida, a situação, nos está a dar de melhorarmos mais um pouco, a pessoa que somos.
Os desafios da vida, por norma, surgem de formas mais suaves, mais subtis, na primeira vez em que nos deparamos com eles. No entanto, à medida que o tempo, e a nossa teimosia, avançam, as dificuldades vão aumentando e a lição apresenta-se de forma, cada vez, mais desafiante. Nem sempre temos o olhar atento para abraçar o desafio, nem sempre conseguimos, nem sempre somos capazes de perceber o que a vida nos está a pedir. Desta vez o desafio é claro e para o alcançarmos necessitamos de nos tornar, um pouco mais, moldáveis tanto connosco, como para com o mundo.
Uma vez que todos temos ideias distintas, e que, dificilmente iremos concordar em tudo (e é exactamente isso que nos faz crescer) é essencial que sejamos flexíveis às diferentes visões do mundo. É necessário respeito e aceitação, e com isto, não quero dizer, concordância. Aceitar e concordar são coisas muito diferentes. Quando aceitamos, temos respeito pela ideia do outro (mesmo que a nossa seja contrária). Quando concordamos, partilhamos da ideia do outro ou quando discordamos enaltecemos a nossa ideia ( mas nessa parte, já temos bastante prática). O debate de ideias é importante mas este deve ser sempre um debate e nunca uma "guerra", para isto é preciso aceitação e respeito e por vezes, claro, uma pitada de compaixão e tolerância. O que sentimos pelas pessoas deve ser genuíno e não condicionado pelo seu sistema de crenças. Porém, a inflexibilidade de um dos lados dificultará, obrigatoriamente o relacionamento, a partir do momento, em que uma das partes se anuncie inflexível.
A inflexibilidade conduz a uma profunda resistência à mudança, trazendo-nos mais dificuldades do que facilitismos. A flexibilidade é uma virtude que começa na nossa mente. É no nosso pensamento que podemos agir para nos tornarmos, menos intransigentes. A aceitação conduz à flexibilidade, ao respeito à compaixão pelo outro, à compreensão entre os homens.
Apenas aceitando (mesmo que não concordando) conseguimos estar, verdadeiramente libertos da prisão que nos impede de sermos inteira e plenamente flexíveis.
Que consigamos aprender o que este grande desafio nos tem proposto. Que a cada dia sejamos melhores, mais autênticos, mais felizes e mais livres.
💜
Petra Silva (Mytic Soul)

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