A oportunidade de Aprender #3 - O Egoísmo
Ontem escrevi um texto sobre cooperação. Na sequência da publicação do mesmo, fiz um teste nas redes sociais, para ver até que ponto as consciências estavam a mudar e, a humanidade se encontra disposta a caminhar lado a lado. 😉
Os resultados não me surpreenderam, mas deixaram-me, sem sobra de dúvida com a convicção de que, infelizmente, grande parte das pessoas, não querem, aprender uma forma diferente de viver.
Estamos a atravessar uma situação de extrema complexidade a nível laboral, financeiro, emocional e mental, mas, nem mesmo assim, a visão do mundo se altera. E eu, bem, eu não consigo entender como pode tanta cegueira contaminar tanta gente, que continua com o mesmo pensamento, com a mesma ideologia egoísta, com a mesma noção de concorrência, com o clima de medo, de comparação e de necessidade de enaltecer, unicamente, a si próprio. Respeito, claro que sim, é o livre arbítrio de cada um porém, não me identifico, não concordo e acima de tudo não compreendo. O mundo está a gritar por uma mudança e grande parte da humanidade, continua surda... 😔
As páginas, os grupos, que mais defendem a tal "dita união", a "cooperação" foram exactamente essas, que não mostraram o mínimo, dos valores que enaltecem. A falsidade ainda está muito viva no seio da humanidade, e a continuarmos desta forma, estaremos, todos, confinados aos desfechos mais dolorosos. Apesar das excepções, enquanto humanidade, viveremos pela escolha colectiva e consequentemente receberemos a resposta ao que a maioria escolhe alimentar. Pessoalmente, desejo que esta visão se altere. Desejo um mundo melhor, uma humanidade melhor, uma vida melhor para todos nós. Essa é a minha fé (por muito que existam dias em que levo um "estalo" da realidade e balanço, dentro da minha própria crença), continuo a crer na capacidade de sermos melhores do que até aqui temos demonstrado, ser possível.
Claro que existem excepções, às quais agradeço a disponibilidade de crescermos juntos. 😊 É nas excepções que as mudanças se criam. É nas diferentes formas de encarar os desafios que nascem os verdadeiros guerreiros, aqueles que sabem, que a existência do outro, não implica uma ameaça pois o humanismo sobrepõem-se ao ego que tem imperado no mundo, nos últimos séculos.
O que é o egoísmo e como ele se manifesta?
- Quando queres que o outro viva, da forma que tu desejas.
- Quando um elogio ao outro te melindra.
- Quando o sucesso do outro te faz "comichão".
- Quando és excessivamente ciumento .
- Quando procuras o outro, exclusivamente, pelo teu próprio interesse.
- Quando te concentras apenas e só, no teu umbigo.
- Quando és incapaz de ajudar o outro, sem que daí advenha um benefício para ti mesmo.
- Quando ajudas e cobras o auxílio, não estás a ajudar e sim a criar "armas de arremesso".
- Quando os outros não "podem" ter uma relacionamento "melhor" que o teu, um trabalho "melhor" que o teu, um vencimento "maior" que o teu, uma vida, melhor do que a tua.
Se identificarmos algumas destas características em nós próprios, temos a oportunidade (já que temos tempo de sobra) para trabalharmos estas questões que, embora possam parecer, à primeira vista, garantir o nosso sucesso, pouco trazem de benéfico às nossas vidas. Mais cedo ou mais tarde, o egoísta experimenta a solidão. Ela é inevitável ao ser que, em vez de estar preenchido, se encontra desprovido do alimento da alma, do propósito da vida.
Fomos ensinados a competir, logo na instrução primária. Dizem-nos que temos de ser melhor do que os outros, que temos de nos comparar com os "melhores" para superarmos a meta por estes atingida. A sociedade incute-nos a sermos literalmente "sacanas" durante a vida inteira, no entanto, está inteiramente nas nossas mãos mudarmos esta programação com a qual fomos inundados ao longo dos anos.
Fomos formatados para nos instruirmos, escolhermos uma profissão, recebermos um vencimento mensal que se destina, exclusivamente a pagar contas e a adquirir bens materiais que se acabam por misturar com a nossa identidade. Será este o verdadeiro propósito da vida, da existência?
Como posso ser altruísta no meio de tanto egoísmo?
Em primeiro lugar, o que é a opinião do outro, a escolha do outro, a vida do outro, não nos diz respeito. Por muito que amemos alguém, só o amamos quando este sentimento, quando este relacionamento, é vivido com total liberdade. Assim, o amor nunca pode ser egoísta, pois, de facto isso não é amor. Amar é respeitar a escolha, a liberdade, as opiniões, as crenças que o outro tem. O altruísmo faz parte da expressão mais genuína de amar alguém. Assim, quando amamos a humanidade, a dádiva da vida, não temos necessidade de sermos egoístas, nem tão pouco, de olhar para as situações como se de uma ameaça se tratasse. É necessário, no entanto, que estejamos atentos ao que nos pode auxiliar ou prejudicar, pois a cada minuto da nossa vida, realizamos escolhas.
Se identificamos estes comportamentos nos outros, é essencial que estejamos atentos e consigamos ter a capacidade de nos distanciarmos desta forma de vida que pouco acrescenta, podendo, até mesmo, resultar num prejuízo da energia que estamos, inevitavelmente a escolher, alimentar.
Fica atento ao que estás a alimentar dentro de ti. Presta atenção a quem te rodeia. Observa as reacções dos outros, a disponibilidade, a rejeição, a abnegação que existe no teu núcleo. Não julgues, não apontes o dedo, não discrimines mas lembra-te, que tudo o que escolheres alimentar (seja dentro de ti, seja nos relacionamentos que mantens) vai determinar não só a pessoa em que te tornas, como consequentemente, toda a tua vida.
Lembra-te, não se consegue tudo num só dia. O caminho faz-se, caminhando ...
💚
Petra Silva (Mytic Soul)
Petra Silva (Mytic Soul)

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