O LADO POSITIVO DA PANDEMIA #8 - Coragem

A coragem é determinada pela capacidade que temos de ultrapassar as diversas situações com as quais nos deparamos ao longo da vida. Para termos coragem necessitamos de dominar, de vencer o medo e tudo aquilo com que nos confrontamos à medida que a vida avança.

Para desenvolvermos a coragem, temos de ter força e firmeza. É necessário encarar as coisas de frente, assumir as responsabilidades dos actos que fazemos, não fugir das situações, não virar as costas às coisas que não nos agradam.

A melhor forma de cultivarmos a coragem é termos um propósito, uma meta a alcançar. Se o nosso propósito for algo que realmente queremos, temos a capacidade de nos direccionar para os obstáculos, com uma força, uma coragem, que muitas vezes não imaginámos, sequer, ser possível de existir no nosso interior.

Coragem implica ousadia e cautela. É necessário que haja uma visão realista das situações para que consigamos caminhar em direcção ascendente evitando, desta forma, um agravamento dos obstáculos com os quais nos deparamos. Para desenvolver a coragem é necessário que aprimoremos a inteligência e a ponderação. Coragem é ter a capacidade de ultrapassar os obstáculos. A coragem não deve ser medida pela capacidade de afrontar o outro. Se observarmos bem, quando afrontamos alguém, não estamos a ser corajosos, pelo contrário, estamos a exercer arrogância.

Inteligência, ponderação, ousadia e cautela são os ingredientes para que a verdadeira coragem nasça. A única forma de sermos corajosos e difundirmos a nossa coragem assenta na capacidade que os outros têm, de confiar em nós. Por isso, o ser que tem a virtude da coragem desenvolvida, é capaz de ser um líder natural, contrariamente à arrogância de um tirano. 

Aquele que é corajoso não cede perante o perigo, no entanto, também não é imprudente ao ponto de o procurar. Não foge dos desafios e procurar intervir, quando é necessário que assim seja. O corajoso mede as situações, analisa-as objectivamente de forma a agir racionalmente. 

Nos momentos de maior adversidade, de maior desafio, muitos de nós descobrem a verdadeira coragem adormecida no nosso interior. Aquela coragem que nem sabíamos que existia, mas que na emergência emerge até nós, permitindo-nos o nosso desenvolvimento pessoal. O sofrimento é o maior dos mestres pois é nas alturas de maior dificuldade que somos postos à prova, que testamos os nossos limites, que verdadeiramente temos a oportunidade, de nos conhecermos.

Quando alimentamos a dúvida, o receio, jamais podemos experimentar a coragem. Falamos de emoções/sensações totalmente opostas logo, antagónicas na sua essência e obviamente, antónimas, na sua aplicabilidade prática. 

A coragem apenas nasce com a mudança. Se nos mantivermos apegados aos hábitos antigos, aos comportamentos antigos, aos pensamentos antigos, iremos agir exactamente da mesma forma que agimos durante toda a vida. A mudança não ocorre, não há desenvolvimento, não há progresso.

Mais uma vez, voltamos a falar da nossa força mental, aquela que devemos efectivamente educar e dominar pois ela é, a chave de tudo o que se processa na nossa vida. O nosso pensamento tem de ser firme, inabalável no seu equilíbrio, estável no nosso intelecto. Ter coragem é ter força, não força física e sim força mental. Perante as dificuldades da vida temos que ser fortes. Devemos compreender que as diversas coisas que acontecem fazem parte da aprendizagem e por isso, não devem abalar o nosso intelecto. 

Tinha eu, mais ou menos oito anos, e na minha ingenuidade de menina, lembro-me de uma frase, escrita numa composição pedida pela professora onde defini a vida como uma peça de teatro, que se desenvolvia num palco, o palco do mundo. Não tinha a mínima noção do que tinha efectivamente escrito, mas de facto, após vinte e poucos anos, a minha forma de sentir, permanece a mesma, no que diz respeito ao grande teatro da vida. À medida que esta peça se desenrola, vão surgindo coisas que gostamos mais, outras que gostamos menos, no entanto, é necessário que desenvolvamos a capacidade de aceitarmos as coisas, a vida, exactamente da forma que é. Não adianta lutar directamente com os obstáculos, a fim de os aniquilarmos. Os obstáculos são os desafios, os degraus essenciais para a nossa evolução. Apenas subindo esses degraus conseguimos alcançar o próximo patamar. Se passarmos a vida a bater nos degraus com uma picareta, vamos perder todo o nosso tempo (que não é assim tanto), a combater algo que, não deve ser combatido e sim, aprendido. 

Ao cultivarmos a coragem no nosso interior, somos capazes de ver sempre, a saída, independentemente da dificuldade. A clareza de raciocínio permanece intacta conferindo a segurança e confiança necessárias para que seja possível, caminhar em frente (independentemente do caos que se possa encontrar à nossa volta). 

O desespero, o pânico, a confusão e o medo são os principais entraves ao desenvolvimento da coragem. Se nos perdermos no meio destas emoções mais densas, estas vão-se apoderar de quem somos logo, a coragem não tem terreno para nascer, pois a terra onde poderia brotar está intoxicada pela negatividade que nos trava, que nos impede de evoluir. 

Estamos numa fase onde é essencial que tenhamos coragem. A coragem de não estar presente, de ter de negar um beijo, um abraço. A coragem de nos mantermos em casa, zelando por nós, zelando pelos outros. É preciso muita coragem para a fase que atravessamos, apenas ela nos pode conduzir, de forma equilibrada, a um desfecho menos doloroso. Todos nós já entendemos que esta adversidade, que este desafio que atravessamos, se instalou por um tempo, suficientemente duradouro, para ter mudado de forma bastante pertinente a vida de todos nós. 

Que tenhamos coragem para ultrapassar este desafio. Que tenhamos a coragem necessária para nos mantermos mentalmente saudáveis. Que consigamos ter a capacidade de cultivar algo que é absolutamente essencial nesta altura, a coragem, que nos permita ultrapassar esta pandemia que nos trouxe muito de negativo, mas também, tal como tudo, tem o seu lado positivo.
💜

Petra Silva (Mytic Soul)




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